O Som estimula a memória

Atualizado: 11 de nov.

Hoje, a ciência já admite a influência do som em nossas emoções. O som ativa áreas cerebrais relacionadas ao afeto e alcança um certo nível de alteração no comportamento difícil de encontrar em outros meios de comunicação.


O som é linguagem. E a percepção dessa linguagem, propagada em ondas sonoras, envolve estruturas cerebrais complexas, como os múltiplos córtices, o cerebelo, conhecido pela regulação do movimento, e áreas que estimulam reações emocionais profundas, como é o caso da amígdala, do orbito frontal ou do córtex.


O som ainda estimula a memória através do hipocampo e sentimentos de recompensa mesolímbica.


Se você não é um neurocientista fica um pouco difícil assimilar tantos nomes, mas não é preciso ir muito longe para descobrir o poder do som.


Quem nunca se imaginou numa praia só escutando a brisa do mar num aparelho de MP3? Basta o som de passarinhos para desestressar ou o próprio som da água, tão usado em prática de yoga e meditação.


A dramaturgia grega já havia percebido que a música ao ser tocada interferia no humor do público. Platão costumava dizer que a música despertava emoções diferentes.

Somos, de fato, movidos pelo som, desde a vida uterina.


O som estimula nossas emoções gerando ação e memória.


Por meio da estimulação de áreas cerebrais, o som pode gerar tanto a sensação de felicidade, quanto a de tristeza.


A propaganda e a indústria cinematográfica sabem muito bem disso e ambas utilizam o som com maestria, não só para entreter, mas também para persuadir, para convencer.

Em 2018, um estudo conduzido pela Neuro-Insight constatou um aumento de 22% no estímulo cerebral conhecido como “codificação da memória” que é justamente o “processo de transformar uma experiência em memória”.


Lembrando que para uma propaganda ser eficaz, ela deve ser lembrada, ela deve ser recordada. O produto, ou o serviço em questão, deve permanecer na memória do seu cliente.


O estudo ainda mostrou que, comparado com outros meios de comunicação, o rádio lidera os índices de maior codificação de memória e recordação. E a boa notícia é que ativar memórias gera fidelização.


Deve ser por isso, que pesquisas mais recentes comprovam que os programas em áudio, como rádio e podcast, têm um poder maior de retenção do que os programas em vídeos. Ou seja, o áudio retém mais pessoas e reter aqui quer dizer, manter as pessoas até o final do programa. A retenção do rádio e podcast é maior.


Parece que o áudio aciona compartimentos secretos dos ouvintes. O manuseio dos sons parece ser uma eficaz ferramenta de conexão entre pessoas e histórias. Por isso, mais engajamento emocional. Assim, desperta-se a atenção e aumenta a retenção.


Deste modo, o som quando bem manuseado faz com que nosso cérebro libere dopamina que é o hormônio do prazer e serotonina que gera alegria. Isso traz uma sensação de conforto, fazendo a pessoa se sentir bem.


Podemos acompanhar uma novela pelo rádio, só com estímulos sonoros, e por outro lado, é, de fato, muito entediante acompanhar uma novela só com imagens, sem áudio. Sem o chororô, sem o som da risada, fica difícil se conectar com os personagens.


Eu gosto sempre de lembrar que o cinema mudo não era tão mudo assim. Som na película, não havia. Mas nas salas de cinema não faltava um pianista acompanhado os ritmos das imagens.


Pois é, parece que o som é mesmo imprescindível a qualquer narrativa que se preze. Por essas e por outras, nunca despreze o som da sua história. O Som tem Poder.


Artigo de Marcelo Madeira

Fonte: Neuroscience study shows power of contextual radio ads

 


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