Mostra Cine Brasil Marginal, uma mostra dedicada à arte-denúncia

Durante três dias, de 24 à 26 de março de 2018, o Photobastei em Zurique foi palco da Mostra Cine Brasil Marginal – A margem do cinema. O evento dedicou-se inteiramente a produções cinematográficas relacionadas a temas e personagens marginalizados na sociedade como por exemplo; refugiados, artistas de rua, sem teto, presidiários e transexuais.





A iniciativa teve o apoio da Universidade de Zurique e foi produzida pelo coletivo Taoca, um coletivo de “artivistas” que se define como formigas persistentes que tem o intuito de incomodar, e principalmente, de instigar reflexões políticas-sociais através de informação e arte.


Na mostra foram exibidos seis longas e três curtas produzidos por diretores, produtores culturais e movimentos socias brasileiros que veem a arte como instrumento de resistência e denúncia.


O público entusiasmado prestigiou o evento em grande número, muitos de pé, aplaudiram, riram, choraram, endireitaram-se na cadeira, constrangidos talvez, mas também despertos para o fato de que no fundo, marginalizados estamos muitos de nós.


E a isso deve-se o grande sucesso da Mostra Cine Brasil Marginal – A margem do cinema.

Além da primorosa organização, a escolha do local, a qualidade dos filmes, casa cheia todos os dias – pois muitos expectadores compareceram três dias seguidos – além de tudo isso, houve sim uma empatia, uma identificação dos filmes com o público (para uns mais, para outros menos) e uma constatação de que hoje no mundo, cada um de nós, certamente, conhece alguém, um amigo, um familiar que se inclui na lista de grupos marginalizados, ou até nós próprios. Isso por que somos seres diferenciados inseridos em um modelo social despreparado para acolher com naturalidade essas diferenças.


E assim, diferenciados grupos organizam-se à margem da sociedade, e proliferam-se, até percebermos que somos a maioria. Se somos, portanto, a maioria, como permitimos uma sociedade não inclusiva?

Outro fator que despertou muito o interesse do público foi o fato do Brasil viver hoje uma situação alarmante de ameaça aos direitos humanos e à própria democracia. E não só isso, as questões brilhantemente abordadas em cada filme da mostra não cabem somente ao Brasil, mas são também questões globais concernentes aos pilares da transformação social e humana: saúde, moradia, educação, cidadania e auto sustento.


O mundo hoje vive uma crise de cunho econômico-político-social, ouso dizer, sem precedentes. Se houvesse uma mobilização social por “apenas” estas 5 áreas, com certeza nós estaríamos hoje trabalhando por questões muito menos rudimentares. Estaríamos debruçados em questões muito mais amplas a favor dos direitos da humanidade.


Por essa e por outras, a Mostra Cine Brasil Marginal – A margem do cinema realizada recentemente em Zurique foi uma ode à compaixão, à transformação social e sobretudo à elevação de uma consciência maior da responsabilidade que trazemos dentro de cada um de nós.

 

Coletivo Taoca – Visite o website

Artigo de Marcelo Madeira em 2018


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