A Mentira

Atualizado: 29 de jul.

A jornada transcorrera tranqüilamente sem sobressaltos até que perto do fim do expediente o telefone toca. Ele visivelmente abatido atende a chamada. Sua namorada o convidava para sair depois do trabalho.


Silas com uma voz suave lhe disse que estava cansado e tentou postergar a data do encontro. Porém, pressionado por tamanha insistência, ele mentiu:


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- Benzinho, na verdade eu tenho que preparar uns relatórios para amanhã de manhã.


Ela então o fez jurar de pés juntos que no dia seguinte se encontrariam para um cineminha. Afinal era o mínimo que ele podia fazer, já que ultimamente não demonstrava interesse para saídas espontâneas, sempre trazendo desculpas esfarrapadas.


No dia seguinte, Silas chega ao trabalho esbaforido todo manchado de graxa e com 40 minutos de atraso. Após nova reprimenda do patrão, ele com um sorriso amarelo responde:


- O pneu furou. Eu juro.


- Ora Silas, não tem cabimento. Um pneu furado hoje, um outro ontem. Deste jeito, saia mais cedo de casa para dar tempo suficiente de trocar o pneu. Faça-me o favor!


O patrão lhe voltou as costas e saiu. Ele, envergonhado, sentou-se em frente a sua escrivaninha e mesmo sem limpar a graxa do rosto, pôs-se a trabalhar.


Ao findar o expediente, Silas olha para o relógio pendurado na parede. E de súbito, é tomado pela excitação de se encontrar com a namorada. Já prestes a sair do escritório um funcionário lhe chama e deposita em sua mesa um calhamaço de papéis:


- Relatório pra amanhã de manhã - diz.


E estupefato Silas se deixa desmoronar no encosto da cadeira. Passa a mão na testa e pensa que precisará de muita coragem pra ligar pra sua namorada.


- Benzinho, eu juro, é verdade.


Ela do outro lado da linha, inconformada, pede o fim do relaciomento:


- Ou duas ou uma: Ou você é um mentiroso de marca maior ou é um bobalhão que está sendo explorado pelo patrão. Em ambos os casos eu tenho motivo de sobra para não querer ver de novo a sua cara!


Pronto. Lá estava Silas desconsolado e pensava:


- Ou sou pego na mentira ou a mentira me pega.


Crônica de Marcelo Madeira

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