A História do CEBRAC – Centro Brasileiro de Cultura na Suíça

Hoje, ao entrar na sede do CEBRAC em Zurique, deparamo-nos com uma biblioteca com mais de cinco mil títulos, acervo de músicas e filmes brasileiros, diversos cursos disponíveis, desde culinária a língua alemã, palestras, saraus, cafés literários, bazar de livros e outras atividades culturais para adultos e crianças.


Para nós, visitantes, já está tudo ali, arrumadinho, bonitinho e catalogado. Muitas vezes, não temos o conhecimento de como surgiu e como se formou o que hoje é, pode-se dizer, a mais sólida associação sem fins lucrativos de cultura brasileira na Suíça.


Esta brochura que o leitor tem em mãos tem o intuito de trazer à luz sua trajetória, suas conquistas e seus desafios ao longo desses 10 anos de existência. Contar a história do CEBRAC é contar um pouco a história de um grupo de pessoas preocupadas em manter vivas as raízes culturais do Brasil, principalmente para nossas crianças, crescidas ou nascidas na Suíça.


Nota do autor


Nossos sinceros agradecimentos ao CEBRAC por ter apoiado a realização deste projeto. As informações contidas nesta brochura foram fornecidas por Sonia Jordi, Miriam Vizentini, Arlete Bauman, Silvana Hegi, Lourdes Lobmaier, Mônica Epperlein Stoll, Graça Kurt, Nilce Cunha e Mariana Widmer.


Também tivemos acesso a documentos e registros, tais como, atas de reuniões, pastas de arquivos, boletins informativos, correspondências, fax, e-mails, páginas na internet, artigos na imprensa e álbum de fotografias de professoras do HSK-Brasil e de voluntários do CEBRAC.


Nossa preocupação é apenas delinear os acontecimentos que culminaram com a fundação do CEBRAC, e os rumos que influenciaram o que a instituição é hoje. Portanto, o que temos é uma síntese dos 10 anos de atividade de uma associação cultural sediada em Zurique.


Esperamos que esta brochura seja o ponto de partida para outros projetos de documentação da história recente das associações brasileiras na Suíça.

Desejamos a todos uma boa leitura.


Marcelo Madeira


Caminhante, não há caminho.O caminho se faz ao caminharAntônio Machado


O começo de tudo…


No dia 16 de março de 1996, num café da estação central de Zurique, durante uma reunião entre Sonia Jordi e Ocirema Kukleta de Zurique, Dorith Weber de Saint Gallen e Miriam Vizentini de Aargau, foi fundado com apenas um Estatuto, uma conta bancária e uma caixa postal, o CEBRAC, Centro Brasileiro de Ação Cultural.


Mas para que possamos entender as razões que as levaram a tomar tal decisão, seria necessário recuar um pouco no tempo.


No início dos anos 90, não havia internet, e-mails ou fax. Não existia nem mesmo o nosso tão banalizado celular e a telefonia fixa não funcionava assim com tanta desenvoltura, principalmente em ligações internacionais. Essa precariedade na comunicação favorecia o isolamento entre os grupos de brasileiros na Suíça.


As atividades com o propósito de reunir brasileiros em torno de objetivos comuns eram raras. O que havia de mais famoso era o Clube Brasileiro de Zurique, fundado por suíços que haviam morado no Brasil e que desejavam, assim, matar a saudade da terra tropical. Nesse clube eram promovidos festas e eventos, mas sem nenhum cunho pedagógico.

Entre o ano de 1992 e 1993, na cidade de Baden, no cantão de Aargau, são realizadas diversas atividades voluntárias dirigidas às crianças. O projeto era uma iniciativa da entidade suíça Terre des Hommes que trabalha com crianças brasileiras carentes e conta com o apoio de um grupo de brasileiras, esposas de funcionários da empresa ABB, Asea Brown-Boveri. Tais atividades tinham a finalidade de levar informações sobre o Brasil e angariar recursos em barracas erguidas nas festas da cidade. Em diversas regiões, outros grupos movimentavam-se e implantavam diversas ações sociais entre a Suíça e o Brasil.

Em 1993, em Zurique, surge uma equipe de brasileiros que com o apoio do Consulado e do Banco do Brasil criam o braço suíço da campanha da Solidariedade Contra a Fome e a Miséria, mais conhecida, no Brasil, por Campanha da Fome ou Campanha do Betinho, em referência ao seu idealizador, o sociólogo e ex-exilado político Herbert de Souza. A idéia era angariar fundos para a campanha através de eventos culturais.


A campanha é logo aderida por brasileiros e suíços em Aargau, Zurique, Lucerna e outras regiões. O Banco do Brasil disponibiliza uma de suas salas para as reuniões onde eram traçadas as diretrizes da campanha, enquanto o Consulado brasileiro ajuda a organizar noites de música brasileira ao vivo na sala Kunsthaus em Zurique. Durante os eventos são apresentados painéis contendo informações sobre o Brasil.


Com a repercussão e o sucesso da campanha, brasileiros de vários cantões começam a se conhecer, surgem novos eventos e encontros esporádicos. Muitos desses encontros foram realizados em cafés pela cidade e nas casas das próprias participantes. Em 1993, surge destes encontros o debate-denúncia com Jaqueline Leite sobre moças brasileiras trazidas como “artistas” e levadas à prostituição. A essa altura, cresce a disposição pelo trabalho voluntário e a vontade de discutir e analisar as condições dos brasileiros na Suíça.


Crianças bilíngües


Em 1994, a palestra sobre Bilingüismo com a psicóloga Ana Hermann expõe a experiência dos cursos de língua e cultura criados nos anos 30 pelos imigrantes italianos. O evento contou com o apoio da escola de língua portuguesa, Instituto Cultural Brasileiro, o ICB e da ALILEC, Asociación Latinoamericana de Lengua y Cultura, na época, um pequeno grupo de pais de alunos que no ano anterior, em 1993, criara a organização Cursos latino-americanos interculturales de lengua y cultura materna para niños y jóvenes de cantón de Zurich.


Estes cursos, até o início dos anos 90, eram um convênio entre a Suíça e países como Espanha, Portugal, Itália, Iugoslávia, Albânia e outros. O acordo estabelecia, aos países membros, o envio de professores selecionados em concurso público e material didático às escolas suíças. A Suíça, por sua vez, cedia as salas de aula e transcrevia, nos boletins escolares, as notas dos alunos matriculados nos cursos de língua e cultura materna. Tal programa educacional suíço, embora ampliado, é até hoje conhecido pelo nome de HSK (Kurse in heimatlicher Sprache und Kultur ou Cursos de Língua e Cultura do País de Origem) e foi criado pelo órgão suíço Conselho de Instrução Pública.


A Suíça apoiava o projeto HSK, primeiro, por acreditar na importância da integração cultural como ferramenta no processo de educação e segundo, para facilitar o retorno dos filhos de imigrantes ao país de origem de seus pais. O país de origem, por sua vez, cooperava por entender que, se um dia, os jovens voltassem, seria melhor que tivessem o domínio da língua materna.


Com o aumento no fluxo de imigrantes latinos americanos, a partir da década de 80, Espanha e Portugal, alegando não terem condições para administrar tantos alunos, negam-se a receber, em seus cursos de língua materna, crianças de outras nacionalidades. A essa altura, era claro que a comunidade sul-americana havia crescido e necessitava estabelecer o seu espaço.


Em 1992, uma nova lei referente à política de imigração na Suíça amplia o apoio aos cursos de língua e cultura materna. O regulamento, divulgado pelo Conselho de Instrução Pública, em 11 de junho, abre a possibilidade de novas entidades gestoras organizarem os cursos que, até então, eram administrados apenas por consulados e embaixadas.


Com a mudança no regulamento do HSK, a ALILEC viu a oportunidade de representar a América Latina nos órgãos educativos na Suíça. Em 1994, o ICB começa a oferecer cursos para as crianças brasileiras em nome da ALILEC.


Em 1995, a ALILEC solicita à Direção de Educação do Cantão de Zurique, o reconhecimento das notas dos alunos dos cursos Língua e Cultura Materna nos boletins escolares suíços. Esse reconhecimento seria obtido dois anos depois, em 1997. Porém, no mesmo ano de 1995, o ICB pretendendo seguir um projeto diferenciado desliga-se da ALILEC, mas continua a ministrar os cursos de português, agora, de forma independente.


Português do Brasil


Acreditando que o reconhecimento do Cantão de Zurique só aconteceria se a América Latina permanecesse unida, a ALILEC começa a buscar professoras para reorganizar o curso de português do Brasil.


Uma das professoras convidadas foi Sonia Jordi que, até então, mantinha-se distante dos acontecimentos da comunidade. No mesmo ano de 1995, sua filha entraria para o Jardim de Infância e recusava-se a falar o português. Preocupada com tal situação, Sonia Jordi teve o apoio de uma outra mãe, Miriam Meier, cujo filho, ainda no Jardim de Infância, apresentava as mesmas dificuldades. Procurando incentivá-los a falar a língua materna, organizam tardes recreativas em sua própria casa.


Ao receber o convite da ALILEC, aceitou-o prontamente, pois daria continuidade a sua proposta, com a vantagem de ter a sua disposição uma sala de aula e uma estrutura escolar. Assim, em setembro de 1995, Sonia Jordi começa a lecionar para as crianças alfabetizadas na Escola Limmat B e Laura Schaffner para as crianças em idade pré-escolar na sala do jardim da infância, na Josefstrasse, em Zurique.


Sonia Jordi, logo no primeiro dia de aula, surpreende-se com o pequeno número de alunos: dois. O restante havia faltado. Com a lista de chamada em mãos, resolve ligar para as respectivas mães. Foi assim que ela entendeu que os alunos freqüentavam os cursos de língua materna sim, mas longe das dependências da ALILEC, pois continuavam matriculadas no ICB na Ilgenstrasse, em Zurique.


No final de 1995, a comunidade brasileira crescia e buscava sua própria identidade. Era natural que as mães se sentissem mais à vontade matriculando seus filhos numa instituição brasileira. Mesmo assim, a ALILEC se empenhava em unificar a América Latina em torno do programa de educação HSK; afinal o programa era idealizado pelo sistema suíço de ensino público, e a ALILEC, sendo uma associação de pais sem fins lucrativos, representava a escola pública para os filhos de imigrantes.


Os grupos brasileiros, que já vinham se mexendo desde os idos de 1992, agora estavam mais sólidos e, a partir de 1995, ganhariam mais visibilidade. Esses núcleos foram fundamentais para a formação e propagação de idéias, análises e informações referentes à comunidade, principalmente no que diz respeito à mulher brasileira na Suíça. Um desses grupos, reunido nesse período, foi o Grupo Ação que, por anos, atendia pelo apelido de Grupo das mulheres brasileiras da região de Zurique. O Grupo coordenava ações contra a exploração da mulher e, em 1997, chegou a fechar uma agência na Alemanha que oferecia mulheres por catálogo. A notícia recebeu destaque no Jornal Nacional, da Rede Globo, e a intervenção do Ministério da Justiça no Brasil. Outro grupo que engatinhava era o Grupo Atitude em Berna, a capital suíça. O Grupo Atitude iniciou suas atividades em encontros e debates esporádicos até conquistar sua sede própria, biblioteca e um estatuto. O Brasil procurava seu espaço.


O impasse


Em janeiro de 1996, o Cantão de Zurique oferece um curso obrigatório a todas as professoras do programa HSK Einführungskurs der neuen Lehrkräfte der Kurse in heimatlicher Sprache und Kultur. Este curso que, em português, quer dizer “Introdução aos novos professores do curso de língua e cultura do país de origem” é facultativo às entidades escolares que não são oficialmente reconhecidas pelos órgãos suíços. Sonia Jordi optou em participar, e ao freqüentá-lo descobre o impasse que a separação entre as duas entidades criava: tanto a ALILEC como o ICB poderiam oferecer os cursos de língua, porém, nenhum seria “reconhecido oficialmente” enquanto não houvesse um acordo; segundo o regulamento, deveria haver um único gestor em cada cantão.

Nessa altura, pequenos grupos de professoras, mães e pedagogas também se manifestam a favor da ampliação dos cursos em Aargau, Winterthur, St. Gallen, Berna e outras regiões. O crescente interesse pelo programa HSK e o impasse imposto pelo Cantão de Zurique conduziram-nas a uma reunião no Consulado-Geral do Brasil, na esperança que o consulado pudesse intermediar a situação.


A reunião teve lugar no próprio consulado, no dia 28 de fevereiro de 1996, e contou com a presença do então cônsul, Exmo Sr.Villas Boas Castro, Ricardo Schifferle e Luciano Schumacher Motta do Clube Brasileiro da Suíça Italiana do Ticino, Theodora Leite do Grupo Atitude, que anos depois implantaria o curso HSK em Berna, a proprietária do ICB, Elizabeth Bojunga e representando a ALILEC, Sonia Jordi, Dorith Weber, Ocirema Kukleta, Silvia Rumpold, Stella Maris Rosselet, Miriam Vizentini e Denise Grob Veiga.


Desse encontro, é publicada uma circular, divulgada no dia 5 de março de 1996, na qual o consulado brasileiro informa à comunidade brasileira a existência dos dois cursos de português já em andamento, ALILEC e ICB, em Zurique, e o projeto para a formação de outros cursos similares em outras regiões.


Para o grupo da ALILEC, ficava claro que o consulado apoiaria todo e qualquer curso de português. Mas, isso não resolvia o impasse. A solução era criar uma nova associação cultural que pudesse gerir os cursos de português integrados ao HSK para toda a Suíça.


Nasce o CEBRAC


O ano de 1996 é um ano efervescente para os brasileiros na Suíça. As atividades culturais tornam-se mais freqüentes, a comunidade mais dinâmica. Há um aumento no interesse pelos temas tropicais. O Brasil estava em voga. É quando começa a surgir comércios, estabelecimentos e até veículos de comunicação ao público brasileiro. Em diversos pontos da Suíça, um número crescente de hotéis, lojas e restaurantes passam a oferecer produtos de origem brasileira. No mesmo ano, nasce, na Suíça Francesa, o Grupo Raízes, que em 1997, implantaria a Escola Brasileira de Genebra.


O Brasil era também o homenageado no projeto literário desenvolvido pela Fundação Baobab, com sede em Basel, na Suíça. O projeto dedicava-se a traduzir livros infanto-juvenis de escritores brasileiros para a língua alemã. No mesmo ano, chegam as mãos de Sonia Jordi dois livros da Fundação Baobab. No entanto, o livro que causou mais interesse entre mães e filhas foi justamente aquele que tratava de um Brasil marginal sobre meninas de rua no centro de São Paulo e chamava-se Crianças na Escuridão ou Kinder in Dunklen de Julio Emílio Braz. Esse interesse em revelar o Brasil seria a pedra fundamental do que é o CEBRAC hoje: o CEBRAC da biblioteca, das palestras, dos eventos culturais, marcando terreno pelos 10 anos seguintes.


No dia 7 de março de 1996, é endereçado a cerca de vinte pessoas ligadas a área de educação e cultura de diversos cantões na Suíça, o convite para a primeira Assembléia Constituinte do CEBRAC, que seria realizada no dia 16 de março do mesmo ano. Nessa reunião, na qual foi aprovado o estatuto, foram eleitas Ocirema Kukleta, Presidente; Miriam Vizentini, Vice Presidente; Dorith Weber, Secretária; Sonia Jordi, Revisora. Silvia Rumpold sugeriu o nome que a associação adota até os dias de hoje: CEBRAC-Centro Brasileiro de Ação Cultural.


Professoras e pedagogas que vinham estabelecendo contato desde a separação entre o ICB e a ALILEC começam a trocar informações sobre plano curricular, material didático e método de ensino. Diversos encontros, pesquisas, reuniões e telefonemas são realizados, e agora, com a ajuda do mais novo bibelô tecnológico da época: o fax. A repercussão crescia em torno ao HSK. Pais e professores aspiravam a possibilidade das notas do curso de língua materna serem transcritas ao boletim escolar suíço. Até então, nenhum curso de português do Brasil havia conseguido tal proeza.


HSK Brasil


O primeiro endereço do CEBRAC foi numa sala da Igreja Heiligkreuz. Na sala, de dimensões modestas, cedida por uma paróquia católica no bairro de Altsteten, eram realizados encontros, reuniões e a coordenação dos cursos de Extensão Cultural, dirigidos a adultos brasileiros ou suíços que desejavam aperfeiçoar o português. Desde o início, o CEBRAC passa a receber doações de livros, principalmente didáticos, oferecidos por professores, pais de alunos e amigos que mandavam do Brasil. Na sala, não era permitido deixar material, por isso os livros eram guardados na casa de Sonia Jordi, que a essa altura ainda lecionava na ALILEC com mais duas professoras, Laura Schaffner e Gildenise Strässle.


Dorith Weber logo implantou os cursos de Língua e Cultura Materna em St. Gallen em nome do CEBRAC e em julho de 96, ela consegue o reconhecimento oficial das autoridades de ensino do cantão; seria a primeira vez que um curso de português do Brasil seria oficializado.


Em outubro do mesmo ano, é realizada a primeira de uma série de reuniões pedagógicas. Tais encontros eram conhecidos como reuniões intercantonais e tinham o objetivo de discutir os métodos de ensino e buscar soluções para a implantação do HSK em outras regiões. Na primeira reunião, realizada na sala da igreja, em 31 de outubro de 1996, estavam presentes sete professoras de cinco cantões. A terceira reunião seria realizada, no mesmo local, em junho de 1997, com o dobro de participantes de oito cantões. O interesse crescia e, com ele, a repercussão sobre os cursos. É quando Aargau e Winterthur também implantam o programa integrado ao HSK, com as professoras Miriam Vizentini e Stella-Maris Rosselet.


No final de 1996, na cidade de Zurique, foi aberto um inquérito parlamentar para analisar a viabilidade de uma entidade particular oferecer os cursos HSK; até então estes cursos eram coordenados por consulados, embaixadas ou entidades sem fins lucrativos, e nunca por uma entidade particular, como era o caso do ICB.


O CEBRAC se organiza e, durante a Assembléia Geral, realizada no dia 25 de janeiro de 1997, na sala paroquial da igreja Heiligkreuz, são eleitos por unanimidade os seguintes membros da diretoria: Alfredo Alder, Presidente; Sonia Jordi, Vice Presidente; Miriam Méier, Tesoureira; Dorith Weber, Primeira-secretária e Ocirema Kukleta, Segunda-secretária.


Os pais dos alunos se reúnem e manifestam seu apoio ao CEBRAC. Em assembléia Geral, no dia 21 de março de 1997, a ALILEC passa, oficialmente, o curso de português à recém criada associação brasileira.

Tupi or not Tupi


O ano de 1997 seria cheio de atividades para o CEBRAC, marcando sua vocação, ainda latente, de uma associação voltada à divulgação e ao resgate da cultura brasileira. Em abril, com o apoio da biblioteca intercultural Kanzbi, em Zurique, o CEBRAC organiza uma tarde com o autor Julio Emilio Braz, apresentando seu livro Crianças na Escuridão. Esse tipo de evento, com palestras dirigidas às crianças, até então, era novidade. Foi o primeiro evento que contou com a mobilização de diversos voluntários, e a repercussão positiva fez com que o grupo visse que o caminho estava certo, enchendo-se de coragem para continuar. O autor ainda visitaria outras associações e grupos da época, espalhados em diversos cantões da Suíça.


Nos anos seguintes, outros eventos semelhantes aconteceriam. Em 1999, houve a apresentação do livro Tupi or not Tupi, no qual o autor, o professor da Faculdade de Letras da USP, Paulo Eduardo Navarro, resgata o ensino da língua Tupi. O interesse pela língua indígena falada no Brasil até o século XVII trouxe à sede do CEBRAC cerca de oitenta pessoas. O evento foi um sucesso, levando-se em consideração que o máximo de público que se tinha num evento desses era, aproximadamente, trinta pessoas.


Em maio de 1997, o CEBRAC teve uma discreta presença na tradicional festa do 1° de Maio, Dia do Trabalho. Sobre um estreito banco de praça, Sonia Jordi e Miriam Méier expõem folhetos do CEBRAC e jogos do folclore brasileiro confeccionados a mão, dentre eles, um dominó com os Estados do Brasil e o jogo das Cinco Marias (saquinhos de tecido recheados de grão de arroz). Em outras ocasiões, vendia-se livro infantil, cerâmica marajoara e os tais joguinhos, mas sempre com o espírito de transmitir cultura. Junto às peças de cerâmica ou aos brinquedos, tinha-se a preocupação em colocar folhetinhos que explicassem suas origens, em português e em alemão.


Em junho, com a colaboração dos pais e professores, acontece a primeira festa junina em Wettingen, no cantão de Aargau. E outras atividades culturais surgiriam na mesma época.


Este seria, ainda, o ano da criação do logotipo do CEBRAC, utilizado até os dias de hoje: o mapa do Brasil desenhado dentro do mapa da Suíça. A marca, criada por Sonia Jordi, ilustrava o sentimento da época: um Brasil grande unido dentro da Suíça.


Descentralização dos cursos HSK


Em fevereiro de 1998, o CEBRAC muda-se para a nova sede na Hohlstrasse, 608. O prédio acolhia outras entidades sócio-culturais e, por isso, já oferecia uma infra-estrutura apropriada, com acesso a cozinha, banheiros, sala de eventos e um telefone próprio.

O primeiro evento no local foi uma palestra com Eldon Canário sobre a Guerra de Canudos. No segundo semestre, viria o índio Daniel Munduruku que, durante a tarde, contou histórias para as crianças e, à noite, palestrou sobre o tema Indígenas Brasileiros 500 Anos de Resistência – Perspectivas Para o Futuro.


A participação em festas de rua, com barracas vendendo iguarias brasileiras, começa em 1998, na festa de 1° de maio e na Züri-fäscht. Esse tipo de evento rendia ao CEBRAC um bom dinheirinho, o qual era destinado a arcar custos de sua estrutura que vinha crescendo a cada ano. A Associação também recebia da venda de livros infantis e das doações de voluntários, sócios e amigos.

Em outubro, recebem a visita de Waldemar Boff, irmão do teólogo Leonardo Boff, palestrando sobre o tema Processo de Exclusão Social – Uma Terra Boa Para Todos. Em dezembro, a professora Miriam Vizentini e pais de alunos do curso HSK de Wettingen, Aargau, organizam com sucesso o teatro infantil Reinações de Narizinho do Sítio do Pica Pau Amarelo.


Em Berna acontece uma reunião pedagógica entre três importantes Associações: Grupo Raízes, CEBRAC e Grupo Atitude. Nesse encontro, realizado dia 23 de maio de 1998, nas dependências do Wisdona, uma entidade de ajuda à mulher estrangeira, discute-se a importância da formação de uma equipe pedagógica para coordenar os cursos HSK.

No decorrer do período de 1997 a 1998, houve diversas trocas de cartas, encontros e reuniões entre o Departamento de Educação de Zurique, o CEBRAC, o ICB, seus advogados e o Consulado do Brasil que, na competência de intermediador, deixava claro que representaria toda e qualquer escola brasileira em território suíço. Muitas foram as tentativas para solucionar o impasse, mas nenhuma das duas entidades estaria disposta a renunciar a possibilidade de integrar o HSK. O impasse se concluiria em 1999, após o falecimento da fundadora do ICB, Elizabeth Bojunga.


Em carta de agosto de 1999, a Direção de Educação do Cantão de Zurique declarava o CEBRAC como único gestor dos cursos HSK no cantão de Zurique. Porém, os tempos já haviam mudado, e os ventos sopravam em outra direção.


Os grupos que haviam implantado o programa HKS em outros cantões tornavam-se cada vez mais independentes. A necessidade em responder aos problemas regionais mais imediatos e a falta de recursos levaram as Associações de outros cantões ao processo natural de descentralização dos cursos HSK. Assim, em 1999, algumas Associações que ainda eram vinculadas ao CEBRAC passam a ser autônomas e a administrar seus próprios cursos de Língua e Cultura Materna.


A biblioteca: a alma do CEBRAC


A partir de 1999, o CEBRAC passa a promover uma série de apresentações culturais. O corpo de voluntários, mais numeroso, articula-se com mais desenvoltura. A idéia era trazer algo do Brasil que acrescentasse nossa identidade. Eventos musicais, teatrinho infantil, palestras com convidados eram realizados com mais freqüência. Com a colaboração de mães e professoras, eram organizadas as festas tradicionais, como festa junina e natalina. No mesmo ano, o CEBRAC faz sua estréia na rede mundial de computadores. A associação agora tem um site na internet, criado e elaborado pelo Tesoureiro do CEBRAC na época, Markus Baumann.


Em 2000, na ocasião dos 500 anos do Descobrimento, um grupo de teatro da Paraíba realiza a montagem da peça “Quebrou o Pau Brasil”, e em maio, o CEBRAC recebe Maria Amélia Telles com a palestra “500 anos de história sob a perspectiva da mulher” com o apoio do Grupo Ação e Grupo Atitude. Outros tantos eventos seriam realizados nesse período, sempre com o intuito de debater e analisar um Brasil rico de tradições e cultura.

A biblioteca que desde a fundação vinha crescendo, em 1999 alcança o fabuloso acervo de 3000 títulos catalogados entre livros, vídeos, jogos e fitas cassetes. Esse número exorbitante, para uma biblioteca que nasceu sem pretensões, foi graças ao apoio de mães de alunos, professoras e amigos que traziam, de suas viagens ao Brasil, doações de livros novos ou usados. O próprio escritor Emílio Julio Brás foi um grande colaborador ao enviar uma grande quantidade de livros infantis. Sonia Jordi contava ainda com um amigo funcionário da Varig que conseguia enviar remessas de livros do Brasil à Suíça. No início, a maioria era de livros didáticos; com o passar do tempo, o acervo passa a conter romances, crônicas, poesias, música, religião, auto-ajuda e outros temas. O CEBRAC dispunha de um computador e um programa próprio para a catalogação dos itens disponíveis. Nesta época, chega a primeira doação do MEC, o Ministério da Educação e Cultura. Foram quatro caixas vindas diretamente de Brasília. A doação veio a pedido de um abaixo assinado organizado por brasileiros em cidades como Zurique, Berna, Basiléia e Genebra.


Os voluntários trocavam turnos no atendimento e, a biblioteca permanecia aberta sem horário fixo. Uma das grandes colaboradoras no início foi Claudia Pasquale e mais tarde a própria coordenadora dos cursos HSK – Brasil, Maggy Herzog. No período de 2001 a 2002, Alcina Bauder foi a responsável pela organização e atendimento da biblioteca. Por todos esses anos, muitos voluntários passaram pelo CEBRAC, catalogando, encapando livros, atendendo e até cobrando a devolução de livros dos inadimplentes.

Em 1999, é publicada a primeira lista de livros. No ano seguinte, em outubro de 2000, Silvana e Roland Hegi realizam o primeiro catálogo da biblioteca, com informações sobre as atividades e um histórico do CEBRAC desde sua fundação. A biblioteca do CEBRAC funcionava a todo o vapor.


O ponto de mutação


Enquanto isso, o HSK Brasil crescia. O CEBRAC tinha agora uma representante na secretaria de educação do Cantão, na equipe pedagógica intercultural. Os cursos, agora, contavam com noventa e três alunos, entre crianças e adolescentes, distribuídos em doze classes, em seis localidades. Recebiam crianças nascidas na Suíça ou recém-chegadas do Brasil. As turmas eram heterogêneas, tanto em faixa etária como no conhecimento e desenvoltura da língua portuguesa, chegando a casos de crianças que não falavam o português. É bom ressaltar que a mãe tinha interesse que o filho aprendesse a língua materna, mas nem sempre falava sua língua em casa. As aulas eram dadas na tarde livre da escola suíça, às quarta-feira, e em algumas escolas, em salas de aulas improvisadas. Era preciso uma didática especial e muita criatividade para despertar o interesse dos alunos e atender a dificuldades tão diversas.


O CEBRAC contava desde 1999, o ano do reconhecimento dos cursos em Zurique, com uma equipe pedagógica, cuja tarefa era organizar os cursos, dar seminários e workshops para as professoras e aos grupos interessados. Em 2001, a Coordenadora Pedagógica Miriam Vizentini e a professora Amparo Lauber criam uma apostila com seleção de textos e exercícios para os alunos. O objetivo da apostila, além de ensinar a ler e escrever, era transmitir conhecimentos de nossa História e Cultura. A apostila seria utilizada nos cursos HSK – CEBRAC.


Em 2001, com cinco anos completos, o CEBRAC se transfere para uma nova sede na Quellenstrasse, 25. O espaço, utilizado até os dias de hoje, tem três cômodos: uma sala com a biblioteca, a recepção e um mini-bar, uma sala para questões administrativas; uma sala para palestras, cursos e recitais de música e poesia. No andar superior, o CEBRAC também pode utilizar um espaço para a realização de grandes eventos, como shows e sessões de cinema.

Com o crescimento, o CEBRAC foi compelido a reestruturar-se rapidamente. Para dar continuidade ao programa do HSK – Brasil, era preciso criar uma nova Associação, cujo objetivo primordial fosse o desenvolvimento dos Cursos de Língua e Cultura Materna. Com isso, o CEBRAC poderia se dedicar cada vez mais às atividades culturais e à biblioteca.

Assim, do mesmo corpo docente do CEBRAC, nasce em Assembléia realizada no dia 29 de junho de 2002, a ABEC – Associação Brasileira de Educação e Cultura. A transferência dos cursos foi feita pelo Presidente Alfredo Alder que sempre cultivou a preocupação em expandir e aumentar a qualidade dos cursos HSK Brasil.

Em 28 de setembro de 2002 em Assembléia Geral são eleitos os novos membros da diretoria; Lourdes Lobmeier, Presidente; Mônica Epperlein Stoll, Primeira-secretária; Graça Kurt, segunda-secretária e Talitha Widmer, Tesoureira.


Outros ventos, novos tempos…


Os membros da nova diretoria do CEBRAC já trabalhavam desde maio de 2002, como voluntários com o apoio da diretoria anterior, sob o nome de Grupo de Reestruturação. Talitha Widmer, voluntária desde 1997, exerceu importante papel na trajetória dessa nova fase. Além de auxiliar o grupo com questões do dia-a-dia, ajudava a manter a filosofia e os objetivos iniciais do CEBRAC.

Mônica Epperlein Stoll, que vinha do Grupo Ação, seria a responsável pelo planejamento do trabalho voluntário para a abertura da biblioteca e a organização prática dos eventos. Além disso, sem a administração dos cursos HSK – Brasil, agora sob a responsabilidade da ABEC, o CEBRAC poderia se dedicar a um papel que até então era novo a seus voluntários: a integração de brasileiros residentes na Suíça.

Em 2001, ainda na antiga sede, em Altesteten, a procura crescente por informações sobre formalidades de casamento, seguro saúde, contrato de trabalho e outros assuntos relacionados ao bem estar social fez com que Sonia Jordi convidasse Lourdes Lobmaier a organizar um serviço de triagem no CEBRAC, denominado CENCA (Centro de Encaminhamento e Aconselhamento). Lourdes Lobmaier, além de integrar, na época, o grupo de organização do Grupo Ação, contava com a experiência profissional necessária, atuando no órgão suíço FIF – Fachstelle für Interkulturelle Fragen (Atendimento para Pessoas de Língua Portuguesa da Cidade de Zurique).

Na virada do século XXI, o governo suíço tornava-se mais sensível a questões relacionadas à integração e dispunha-se a promover incentivos que melhorassem a qualidade de vida dos estrangeiros. Lourdes Lobmaier, então, em 2001, consegue apoio financeiro do cantão de Zurique para dar início ao projeto CENCA – CEBRAC. E, em 2002, passa a atender o público às terças feiras na nova sede na Quellenstrasse 25.

Com a nova postura e novas diretrizes do CEBRAC, a mesma Assembléia Geral de 2002, que elegera a nova diretoria, aprovou, por unanimidade, a alteração do parágrafo 2.2 do Estatuto, referente ao objetivo da Associação que, além de manter as antigas funções de manutenção da biblioteca e promoção de atividades culturais, passaria a “promover a integração” de brasileiros na Suíça.

Até hoje, mais de 700 pessoas já se beneficiaram com o serviço CENCA – CEBRAC, recebendo informações de cunho social e jurídico. Atualmente, a atividade é assistida por Elis Regina Zollinger, que também organiza o Grupo Ação.


Cultura e integração


A partir das mudanças ocorridas em 2002, o CEBRAC vem alcançando vitórias consideráveis a favor da integração e da adaptação dos brasileiros na Suíça. Uma das conquistas mais recentes é o projeto Um, dois, feijão com arroz, três, quatro, Rösti no prato – Ernährung und Gesundheit in der neuen Heimat – ein Projekt von und für Brasilianerinnen in der Schweiz (Alimentação e Saúde na Nova Pátria – um Projeto de e para Brasileiras na Suíça). O objetivo do projeto é adaptar os hábitos alimentares brasileiros a nova realidade num país estrangeiro.

Auxiliado por Lourdes Lobmaier, o projeto recebeu o apoio financeiro do Radix, um órgão do Ministério da Saúde Suíço (BAG) e foi o único escolhido, dentre os mais de quarenta projetos na área de saúde e integração, para ser apresentado na Swiss Public Health Conference (Conferência de Saúde Pública Suíça) em Berna, no dia 25 de junho de 2005.

Durante o período de 2004 e 2005, a nutricionista Marília Fernandes Wettstein e a bióloga Mônica Epperlein Stoll, responsáveis pela elaboração do projeto, apresentaram diversos cursos, palestras e workshops no CEBRAC e no Grupo Atitude em Berna, com muito êxito.

Muitas outras atividades relacionadas à integração de brasileiros na Suíça foram realizadas com sucesso durante a nova fase da Associação. Em 2004, o CEBRAC recebeu a presidente do Coletivo Mulher Vida de Pernambuco, Cecy Prestello que palestrou sobre como lidar com problemas relacionados à violência doméstica. Em 2005, aconteceu a palestra sobre Imposto de Renda na Suíça, apresentada por Irit Chiprut e Mércia Alder que juntas explicaram como deve ser feito o preenchimento dos formulários e esclareceram dúvidas dos participantes. Outras tantas atividades sobre integração foram realizadas no CEBRAC, além dos eventos culturais já tão conhecidos do público.


A entidade, a partir de 2003, pensando na importância que a língua alemã exerce na integração social, profissional e, sobretudo, familiar dos brasileiros residentes na Suíça, passa a oferecer cursos de conversação e de gramática alemã. As aulas são ministradas na própria sede, pela professora suíça Esther Swab. Os cursos são realizados, até hoje, com muita procura.


Em 17 de dezembro de 2003, o Embaixador Sr. Sergio Barcellos Telles, Cônsul-Geral em Zurique, juntamente com outros membros do Consulado brasileiro de Zurique, estiveram presentes no CEBRAC para a entrega e doação de 551 livros. A biblioteca passaria agora à cifra de 5.000 itens dentre DVD’s, vídeos e livros. No mesmo período, sente-se a necessidade de criar uma nova função destinada apenas a manutenção do acervo. Elege-se então Claudia Diethelm para administração da biblioteca.

O CEBRAC, um ano após a reestruturação, estava funcionando a todo o vapor.


O Belo e o Sublime


Ainda em 2003, voluntários do CEBRAC participam na organização do Coquetel de Boas Vindas para novos residentes de língua portuguesa, oferecido pelo Presidente da cidade de Zurique. Tal evento se repetiria no ano seguinte, sendo uma expressiva fonte de renda para a Associação.


A implantação sucessiva de projetos de integração aos brasileiros acarretaria uma mudança significativa na administração da entidade. Sentia-se, agora, a necessidade de melhor gerir os recursos destinados às novas atividades de cunho sociais.

Com a chegada de Nilce Cunha à tesouraria, a Associação pôde se adaptar financeiramente a nova realidade. Formada em economia e com larga experiência no setor, Nilce Cunha organizou a contabilidade e criou condições ao CEBRAC de abranger outros importantes e novos projetos. Dentre eles, o mais recente, o KARTE – CEBRAC, um acordo entre empresas que oferece aos sócios do CEBRAC descontos em estabelecimentos conveniados. A idéia surgiu da secretária administrativa, eleita em 2005, Mariana Widmer, com o intuito de oferecerem mais serviços e mais benefícios aos associados.


No mesmo ano, o corpo de voluntários do CEBRAC recebe reforços com a chegada de Cristina S. Pereira e Thais Aguiar Zeller, responsáveis pela secretaria, biblioteca e produção de eventos. Com isso, em setembro de 2005, durante a Assembléia Geral, foram eleitos, para o exercício de 2005 a 2006, os seguintes membros da diretoria: Lourdes Lobmaier, Presidente; Mônica Epperlein Stoll, Vice-presidente; Nilce Cunha, Tesoureira; Thais Aguiar Zeller, Primeira-secretária; Cristina S. Pereira, Segunda-secretária; Mariana Widmer, Secretária Administrativa; Talitha Widmer, Conselheira.

No dia 18 de março de 2006, o CEBRAC seria palco de uma linda festa, organizada pelos próprios voluntários, para celebrar os 10 anos dedicados à divulgação da cultura brasileira na Suíça. O evento teve início durante a tarde com a visita da escritora Roseni Kurányi, lendo histórias para o público infanto-juvenil. A iniciativa literária teve o apoio cultural da ABEC.


Durante a noite, Sonia Jordi narrou, com muita desenvoltura e bom humor, a história do CEBRAC, seus desafios e conquistas. A narrativa contou com o auxílio de imagens projetadas em telão, produzidas por Graça Kurt, a participação de músicos e recitais de poesia. Também houve a participação do grupo infantil de dança, o Grupo Borboleta e muitas iguarias típicas: feijoada e caipirinha, entre outras. O público presente era de cerca de 150 pessoas, que lotaram a sala de eventos da sede do CEBRAC.

No encerramento, uma apresentação do DVD, O Belo e o Sublime, com depoimentos de voluntários, fundadores, sócios e transeuntes brasileiros e suíços nas ruas de Zurique, sobre o que pensam do CEBRAC ou do Brasil. O documentário de 16 minutos dirigido por Thais Aguiar e produzido por Magda Hammer e Cristina S. Pereira promove o encontro entre gerações de voluntários, a reflexão sobre o brasileiro na Suíça e o papel do CEBRAC na comunidade brasileira.


No dia 13 de junho de 2006, a rede de televisão suíça SF1, contando com o prestígio do CEBRAC na comunidade brasileira, convida-o a participar da transmissão, ao vivo, em seus estúdios, do jogo de estréia do Brasil na Copa do Mundo na Alemanha. A torcida, composta de sócios do CEBRAC, comparece com entusiasmo vestindo camisas especialmente confeccionadas para o evento.


A força motriz


Ao longo desses 10 anos, professoras, mães, maridos, esposas, filhos e amigos participaram do desenvolvimento da Associação. Cada um colaborando a sua maneira, desmontando barracas, preparando caipirinhas, consertando gavetas, instalando softwares, montando estantes ou doando livros.


Na sede do CEBRAC, há todas as atividades possíveis de se imaginar, desde a contabilidade, secretariado, elaboração de projetos, biblioteca, eventos, relações públicas, internet e tantas outras. Cada voluntário coopera segundo a sua vocação e cria sua própria carga horária.


De 1998 a 2002, o CEBRAC recebeu reforços no corpo de voluntários graças a uma entidade suíça, criada em 1995, conhecida pelo nome de CHANCE. A entidade existe até hoje, e seu principal objetivo é manter atividades que ofereçam oportunidades ao desempregado que quer se reintegrar no mercado de trabalho. Em cinco anos de parceria, sete pessoas vindas do projeto CHANCE trabalharam como voluntários no CEBRAC, desempenhando tarefas na biblioteca.


A partir de 1999, inicia-se a parceria entre CEBRAC e o ICYE, Internacional Cultural Youth Exchange (Intercâmbio Internacional Cultural de Jovens). O ICYE é uma organização sem fins lucrativos, filiada a UNESCO e a outras organizações não governamentais em trinta e quatro países. Através deste programa, o CEBRAC assistiu a intercambistas vindos de nações como Honduras, México, Alemanha, Índia, Brasil e Colômbia.


São os programas de intercâmbio que asseguram a abertura da biblioteca três dias por semana. Com a garantia do funcionamento regular da sede, os voluntários recém-chegados podem elaborar novas atividades, cursos e palestras, enquanto o CEBRAC amplia seu leque de atuação.


Foi assim, através da dedicação e do carinho de muitos voluntários, que o CEBRAC cresceu. Não podemos esquecer de citar que a maior parte de suíços voluntários no CEBRAC são os maridos, casados com brasileiras. Afinal, freqüentar o ambiente do CEBRAC é experimentar a convivência entre brasileiros, sentir a espontaneidade, o calor humano e ainda ter o contato com a língua portuguesa.


Graças ao trabalho voluntário, as associações culturais brasileiras têm se consolidado e legitimado sua representatividade junto a órgãos suíços. O prestígio que o CEBRAC carrega deve-se, principalmente, ao trabalho de incontáveis “formiguinhas” que doaram sua generosidade, sua energia e mão de obra aos projetos do CEBRAC. É somente assim, através da circulação de idéias, palestras ou eventos culturais, que conseguiremos manter nossa identidade e com ela, nossa dignidade.

Talvez seja para isso que o CEBRAC exista, para que possamos exercer nossa brasilidade.

Nota do autor


Nossos sinceros agradecimentos ao CEBRAC por ter apoiado a realização deste projeto. As informações contidas nesta brochura foram fornecidas por Sonia Jordi, Miriam Vizentini, Arlete Bauman, Silvana Hegi, Lourdes Lobmaier, Mônica Epperlein Stoll, Graça Kurt, Nilce Cunha e Mariana Widmer. Também tivemos acesso a documentos e registros, tais como, atas de reuniões, pastas de arquivos, boletins informativos, correspondências, fax, e-mails, páginas na internet, artigos na imprensa e álbum de fotografias de professoras do HSK-Brasil e de voluntários do CEBRAC.


Nossa preocupação é apenas delinear os acontecimentos que culminaram com a fundação do CEBRAC, e os rumos que influenciaram o que a instituição é hoje. Portanto, o que temos é uma síntese dos 10 anos de atividade de uma associação cultural sediada em Zurique. Esperamos que esta brochura seja o ponto de partida para outros projetos de documentação da história recente das associações brasileiras na Suíça.


Texto de Marcelo Madeira

 

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